quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Terapia do foste



Foste um caso descasado
Um amontoado de sensações
Uma sorte de qualquer sabor
Um chave de ilusões.
Um mar profundo congelado
Um mistura de dia com leões.

Foste uma surra do destino
Uma surpresa sem nada surpreendente
Um continuar de palmadas escaldantes
Um coração que morde sem dentes
Um chover que não molha
Um olhar desviado e permanente.

Foste o assovio do vento em construção
O caminhar das águas cristalinas
A tristeza jamais entristecida
A felicidade já esgotada.
O encantamento do apocalipse
Os braços felpudos do fofão

Foste a guerra que jamais aconteceu
Foste a torneira que não matou a minha sede
Foste a cobra que nunca me oferecera a maça
Foste a sombra que protegeste da luz
Foste o alimento que me transformara
Foste a cadeira nos momentos do meu descanso.
Foste o amor que sempre me faltou.
Foste a contradição, o paradoxo que restou.

Foste enfim, a minha salvação.
Mas, foste, agora já não és.

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