sábado, 6 de dezembro de 2014

O amanhã não existe




E se amanhã eu já não estiver mais aqui?
Só depende do tempo terráqueo para eu estar,  não ser
E se não falei tudo quanto é necessário?
E se eu não disse tudo o que era para dizer?
Não tenho medo de ir embora, com palavras guardadas
E nem choros calados, em noites traiçoeiras.
Eu acho que disse mais em linguagem muda
Aquela que o coração expurga pela alma e sai pelos olhos.
Nada pertence ao amanhã nesse cabível tempo passageiro
Ele é simplesmente intocável, e não se repele dos minutos.
Cabe ao tempo nos apresentar em horas o que passa
A música que soa no recinto abraça os segundos
O corpo veste o chão com sombras de lembranças
Os lábios escondem sorrisos que deram ontem
Os olhos guardam, na memória fotográfica, as imagens fictícias
E se o amanhã chegar e eu não disser que amo o suficente
E se ainda restar dívidas...
Fica aqui registrado: amabam amare, par pari refertur

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