quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do velho, o novo




Chega uma hora em que seu espírito quer mudanças.
Quer buscar um novo sabor, cheiro, paisagem...
Sentir o cheiro de um desejo não reconhecido.
Olhar a brisa que agora soa diferente
e que antes você não a percebia que tinha cor.
Chega uma hora que pares não fazem sentido
que os ímpares são bem melhores ao seu ver.
E que nada é mais gostoso do que acompanhar essa mudança.
Chega uma hora que seus sentidos exigem outros recantos.
Que seu corpo que passear em outras ruas.
Que seus pés querem sentir os grãos de areia de outro deserto.
Que sua boca quer sentir gostos inesquecíveis.
Beethoven já soa melancólico no ar, não é mais o mesmo.
Tudo em volta tem um pouco de rostos contorcidos de dor.
Querem algo que não sabem o que querem.
Bocas que falaram coisas sem pensar e depois adormecem em si.
Querem esconder o que saiu, mas o que sai já está à mostra.
Olhares que se cruzaram e se apaixonaram num instante.
E quando chega essas horas, não há tempestade que maltrate a terra.
Que faça que tudo continue igual, mas ali já mexeram, não dá.
Não há palavras que se tranformem em um texto coerente.
Pois o velho está indo e um novo está querendo ficar.

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