domingo, 15 de dezembro de 2013

O mascarado

Tocava uma música clássica, Frederic Chopin. Parecia um cenário daqueles livros de Jane Austen. Via-se a imensidão do salão no embalo da festa a fantasia. Reconhecer um alguém naquele recinto seria inútil a esse despertar de curiosidade. Eram muitos vestidos e smokings com máscaras que escondiam suas identidades.
No limiar da porta lá estava eu, com um vestido amarelo olhando a multidão de estranhos. Eu usava uma máscara que só aparecia a boca, assim como a maioria. O colorido das vestes, dos desconhecidos, se misturava feito um arco-íris em rodízios de lábios sorridentes.
Eu andava entre as damas e os cavalheiros procurando um local para repousar e continuar visualizando a festa. Ao encostar-me em um local bem reservado, avistei uma silhueta que movia-se e ao se encontrar com a luz parou. Era  um rapaz alto. Soltava um ar de mistério e parecia procurar um lugar para se aquietar. Estava todo de preto e usava uma máscara dourada, e seus cabelos louros a mostra eram bem penteados. Ele se virou e me avistou. Segundos depois, vi-me prendida nos seus olhos acinzentados que não sabiam desviar dos meus.
Ele me observava lá de longe. Eu fazia o mesmo. As minhas dúvidas eram escuras. Ele parecia taciturno. O único gesto era de seus olhos que não paravam de olhar os meus. Eu piscava, e ele também. Eu desviei o olhar com vergonha e tentei olhar a festa para disfarçar minha reação e talvez meu rubor facial.
Para sair daquela situação, fui atrás de uma bebida. Foi em vão, o salão estava lotado, voltei depois de alguns minutos para o mesmo lugar para mascarar o meu desejo de não estar lá. Respirei fundo e olhei para o local que ele estava e não resistindo ao impulso me vi novamente dentro do olhar dele, mesmo a distância. Era mágico.
Minutos depois, em um entre e sai de pessoas me perdi dele e assim que abriu uma brecha eu já não o via mais. Não sei como ele agiu tão rapidamente. Mas, para minha grande surpresa ele apareceu na minha frente, como se tivesse surgido do nada. Estávamos a três metros um do outro. Meu coração acelerou mais do que o normal. Vi-me ruborizada.
Olhamos-nos, e eu tentava desviar, mas percebi que meus olhos não queriam olhar para outro local a não ser aqueles grandes olhos cinzentos. Ele não se mexia, apenas me olhava e eu não conseguia decifrar nenhum fragmento de emoção que pudesse sair daqueles olhos. Eu já estava me sentindo mal.
Aproveitando o movimento ao nosso redor eu fui ao toalete. Imaginei que assim eu desviasse a sua atenção. Aquele mascarado de alguma forma estava mexendo não só com partes do meu corpo, mas sim com meu corpo todo. E me vendo no espelho, desconhecendo a minha imagem, o senti me olhando e me desejando. Fiquei um momento sem pensar em nada. Respirei e sai do toalete.
Na saída, meu coração disparou porque ao olhar o salão inteiro eu não o vi mais. Será que foi embora? Algo dentro de mim sentia medo de ir embora e não conhecer aquela figura tão chocante para meus olhos. Mas enfim, atravessei o salão e continuei a visualizar a multidão.
Havia uma escada que dava para o segundo andar e fui subindo.     Sentei lá em cima e fiquei vendo todos que estavam lá embaixo e nada dele. O que será que esse cara estava tentando fazer comigo? Fique um mar de nervos e ansiedade. Não era justo. Detesto ser desafiada, pois era isso que ele estava fazendo, me desafiando a olhar para ele com aqueles olhos maravilhosos.
Senti um toque nos meus ombros e fiquei assustada. Atrás de mim uma voz estava perto do meu ouvido e falou:
- Não fale nada. Deixe-me aproveitar da sua presença.
Era ele! Quem mais poderia ser? Uma voz tão linda e grave. Ele lançou-se a minha frente e pegou na minha mão a beijou delicadamente sem tirar seus olhos dos meus. Enregelei-me por dentro. E, em seguida continuou:
- Permita-me conhecê-la um pouco mais senhorita. Mesmo que for só por esta noite.
Eu o olhei timidamente e meus olhos lhe deram a resposta.





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